Autismo, será que você tem pré-conceito?

Quantas vezes você já se deparou com a cena a seguir? Mãe em um supermercado nega comprar determinado produto e a criança que a acompanha, começa a se jogar no chão, gritar e a chorar. Acredito que pelo menos uma vez…


E o que você pensou logo de inicio?
“Nossa que criança mal educada! ou talvez,” Se fosse meu filho não faria isso” , ou ainda, “Criança mimada não sabe o que é um não!”
Mas muito dificilmente você tenha parado para pensar com um olhar diferente, levantando a hipótese que aquela criança pode estar agindo dessa maneira, pois não sabe lidar com a mudança repentina de planos, logo não sabe lidar com estas emoções, então esta é uma maneira da criança se comunicar e dizer de maneira subliminar: O que vou fazer agora? Sempre que vamos ao supermercado compramos bala de gelatina, e é simplesmente não?Eu não sei como agir,quando saímos da rotina.
É um fato que vivemos em uma sociedade estereotipada, cheia de preconceitos e paradigmas onde ditam regras e normas que estabelecem o que é certo ou errado. Quando deparam com uma criança dentro do espectro, ela não aparenta características físicas comparadas à outra criança que possui Síndrome de Down, por exemplo, logo as cobranças são maiores e o preconceito também, pois espera-se muito mais.
Em minha opinião, preconceito se combate com informação e conhecimento. Por exemplo, você com certeza já ouviu falar nestas personalidades: Bill Gates, Albert Einstein, Isaac Newton, Wolfgang Mozart, Charles Darwin e Michelangelo, todas estas personalidades apresentavam traços autísticos, e foram importantíssimas para a nossa sociedade, pois trouxeram uma contribuição muito significativa, seja na cultura, nas artes ou na tecnologia, graças a sua inteligência fenomenal.
O autismo ou como é conhecido dentro da comunidade cientifica: Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um transtorno caracterizado pela inabilidade em lidar com questões sociais, são quadros do neurodesenvolvimento que se manifestam desde a primeira infância e afetam cerca de 1% da população mundial.


Isso reflete no comportamento do individuo da seguinte maneira: déficits na reciprocidade sócio‐emocional,déficits em comportamentos comunicativos não verbais utilizados para a interação social, prejuízos no desenvolvimento, manutenção e compreensão das relações, padrões estereotipados ou repetitivos de movimentos motores, de uso de objetos, ou de discurso, insistência na monotonia, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal, interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco, hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesses incomuns em aspectos sensoriais do ambiente.
Mas, todas estas características podem ser amenizadas, se o quanto antes o responsável procurar um profissional.
Atualmente, temos o método ABA (Applied Behavior Analysis), é uma terapia, baseada na Análise do comportamento, onde escola, família e criança autista, participam para controlar tais hábitos e permitir que o indivíduo tenha uma vida funcional.

O psicopedagogo auxilia a criança autista a estabelecer a maneira mais adequada a socializar os conhecimentos que estão disponíveis, incentivar o desenvolvimento cognitivo da criança e ajudá-la na construção de regras de conduta mais assertivas; enfocando a convivência do indivíduo na sociedade. Além disso, o psicopedagogo contribui na compreensão, assimilação e orientação comportamentais, possibilitando aos pacientes um novo padrão de se relacionar com o mundo e até mesmo a quebra de paradigmas. Existem ótimos profissionais na área da Terapia Ocupacional que ajudam a introduzir, manter e melhorar as habilidades da criança que esta dentro do espectro, para que as pessoas com autismo possam chegar à independência. E a fonoaudiologia vem a contribuir para uma melhor comunicação do indivíduo, Portanto podemos perceber que existem profissionais que atuam como ferramentas para uma melhor qualidade de vida ao indivíduo autista.
O TEA atualmente é dividido em leve, moderado e severo. Esta classificação é feita pelo nível de prejuízo que o transtorno causa á pessoa. Por este motivo é importante o diagnóstico o quanto antes. Alguns atrasos no desenvolvimento associados ao autismo podem ser identificados e abordados bem cedo.
Por fim, antes de rotular ou brincar de maneira pejorativa com um colega chamando-o de autista, reflita!
A pessoa com autismo é extremamente inteligente e em grande parte dos casos, quando existe intervenção precoce consegue levar uma vida normal.


Se você conhece uma criança ou caso seu filho, tem um interesse restrito por determinado assunto, tem dificuldade na interação com os colegas, não faz contato visual, ou o contato visual é muito fugaz, não atende quando chamado pelo nome, (mesmo não apresentando nenhum problema auditivo), ao brincar não dá uma função correta para o brinquedo ou ainda, não lida bem com mudanças de rotina, procure um profissional. Não tenha preconceito! Dê a esta criança o direito de ter uma vida autônoma.

Vanessa Bueno
Psicopedagoga
CRPp: 903